A Aniplex divulgou, em 12 de setembro de 2026, novos visuais de Mitsuki Koga e Aya Osawa, as duas protagonistas de The Guy She Was Interested In Wasn't a Guy at All. A atualização chega num momento decisivo para a adaptação: o anime de TV está marcado para janeiro de 2027, será produzido pela CloverWorks e terá transmissão pela Crunchyroll quando estrear.

Para uma obra cuja premissa nasce de percepção, identidade e afinidade musical, colocar Aya e Mitsuki no centro da campanha tem um peso particular. O título já anuncia o mal-entendido que movimenta a história, mas o interesse do mangá de Sumiko Arai não está em tratar essa descoberta como uma pegadinha. O que importa é o espaço entre aquilo que Aya imagina sobre a pessoa da loja de discos e quem Mitsuki realmente é no cotidiano escolar.

A série acompanha Aya, uma estudante apaixonada por rock, que se encanta por um funcionário de uma loja de CDs. Ela não sabe, inicialmente, que aquela pessoa é Mitsuki, sua colega. É uma premissa direta, mas construída em cima de uma situação muito reconhecível para quem já encontrou, em música, roupa ou postura, uma versão de alguém que não aparece em sala de aula. O romance, portanto, parte menos de uma troca de identidades espetacular e mais da tensão delicada entre a imagem que se projeta e a intimidade que ainda precisa ser construída.

Dois visuais para uma história sobre como enxergar o outro

Os novos materiais dedicados a Aya e Mitsuki reforçam que a adaptação quer apresentar a dupla como o coração da série, não apenas como peças de um enredo de confusão romântica. Aya é a perspectiva inicial da narrativa, movida pela vontade de encontrar alguém que compartilhe sua paixão por rock. Mitsuki, por sua vez, ocupa esse lugar de fascínio antes mesmo que Aya consiga reconhecer a conexão entre a atendente da loja e a colega mais discreta.

Esse contraste é o que dá personalidade à obra. Em muitas comédias românticas escolares, o segredo existe só para adiar uma declaração ou produzir situações embaraçosas. Aqui, ele conversa diretamente com a experiência de se expressar por referências culturais. A loja de CDs, o gosto musical e a aparência de Mitsuki não funcionam como cenários genéricos: são parte da linguagem pela qual Aya percebe algo especial nela.

Também vale situar a obra para quem chega agora. A Kadokawa classifica o mangá como yuri, GL e música, enquanto a Yen Press o apresenta nas categorias Romance, LGBTQ e Yuri. Essas etiquetas não substituem a leitura, claro, mas ajudam a esclarecer o foco da adaptação: trata-se de uma história de romance entre garotas em que o rock não é um adorno de marketing. Ele é o ponto de encontro que permite às protagonistas se aproximarem e se conhecerem por outros ângulos.

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O rock não entra apenas na playlist

A música é parte importante da identidade de The Guy She Was Interested In Wasn't a Guy at All. Pela sinopse oficial, Aya se interessa justamente por encontrar uma pessoa ligada ao universo sonoro que ela ama. Isso coloca seus gostos no centro de sua vida afetiva, algo que pode soar bastante próximo do público: muitas conexões começam antes por uma banda, uma capa de álbum ou uma recomendação entusiasmada do que por uma conversa calculada.

Há uma diferença importante entre usar rock para dar uma camada de estilo e tratar a música como meio de comunicação entre personagens. No caso da obra de Sumiko Arai, a paixão de Aya pelo gênero ajuda a criar o primeiro ponto de contato com Mitsuki. A loja de CDs não está ali apenas para compor cenário, mas para transformar referências musicais em uma forma de aproximação.

O título em inglês, longo e provocativo, chama atenção por conta própria. Mas a sustentação da história está no vínculo entre Aya e Mitsuki, e o repertório musical é uma ferramenta para dar textura a essa aproximação. Os visuais chegam, assim, como uma lembrança de que a série será conduzida por duas personagens, não apenas pelo mal-entendido que apresenta sua premissa.

Uma equipe que já conhece as vozes da dupla

Masashi Ishihama dirige o anime na CloverWorks. Rino Yamasaki assina a composição de série, enquanto Kanna Hirayama responde pelo design de personagens. São créditos que definem a passagem do ritmo do mangá para a tela: a direção precisa encontrar espaço para a comédia, o constrangimento e o romance; a composição organiza como essas etapas serão distribuídas; o design tem a tarefa especialmente sensível de preservar a força visual das protagonistas.

No elenco, Mariya Ise interpreta Mitsuki e Akari Kito vive Aya. As duas já haviam dado voz às personagens em uma adaptação anterior em drama CD, o que cria uma continuidade concreta entre as versões da obra. Em vez de começar do zero no aspecto vocal, o anime parte de intérpretes que já trabalharam essa dinâmica, algo relevante numa história em que tom de voz, hesitação e pequenas reações podem dizer tanto quanto os diálogos mais explícitos.

Até a publicação desta matéria, não havia um dia específico confirmado dentro de janeiro de 2027. A Crunchyroll confirmou que exibirá a série em sua estreia. Para o público brasileiro, essa informação reduz a distância habitual entre o lançamento japonês e a possibilidade de acompanhar uma adaptação tão comentada desde sua chegada. A disponibilidade não garante, por si só, uma experiência perfeita de localização, mas assegura um caminho oficial de acesso quando a temporada começar.

Um mangá que chega ao anime com público já consolidado

A expectativa não surgiu do nada. Segundo o site oficial do anime, o mangá ultrapassa 2,25 milhões de cópias em circulação no mundo e reúne mais de 2 milhões de seguidores combinados nas redes sociais. São números promocionais, sem recorte de período detalhado, mas indicam que a obra chega à televisão com uma base de atenção internacional considerável.

A página oficial da obra também destaca reconhecimentos importantes em sua trajetória: o mangá venceu a categoria de webmangá do Next Manga Award de 2023 e ficou em segundo lugar no ranking voltado ao público feminino de Kono Manga ga Sugoi! 2024. Prêmios e rankings não explicam sozinhos por que uma história encontra leitores, mas apontam que o trabalho de Sumiko Arai já vinha sendo notado antes do anúncio do anime.

O novo visual, então, não é apenas mais uma imagem promocional até janeiro. Ele consolida Aya e Mitsuki como a promessa central de uma adaptação que terá de traduzir uma linguagem muito própria: romance yuri, descoberta afetiva e paixão por música dividindo o mesmo espaço. Se a série preservar a delicadeza dessa combinação, o encontro entre uma fã de rock e a garota que ela ainda não sabe reconhecer pode ganhar na animação a mesma força íntima que fez o mangá atravessar fronteiras.